E outras recomendações para mulheres com falta de desejo sexual?

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Uma das cientistas que introduziu esse conceito no início dos anos 2000 foi a canadense Rosemary Basson.

  • O mecanismo de ação do sildenafil, inibindo a fosfodiesterase tipo 5, aumenta o fluxo sanguíneo genital, o que pode teoricamente melhorar a lubrificação e a sensibilidade.
  • A Agência Europeia de Medicamentos nunca aprovou o sildenafil para tratar qualquer forma de disfunção sexual feminina.
  • Alguns médicos em Portugal podem prescrever sildenafil a mulheres em casos excecionais de hipertensão pulmonar, uma indicação aprovada independentemente do sexo.
  • A falta de eficácia demonstrada em grandes ensaios clínicos levou a que a maioria das farmacêuticas abandonasse o desenvolvimento do sildenafil para mulheres.
  • O uso recreativo de sildenafil por mulheres jovens não é comum em Portugal e não há dados que sustentem a sua segurança nesse contexto.
  • As farmácias comunitárias não dispensam sildenafil sem receita médica, independentemente de quem o solicita.

A pesquisadora também é autora da ideia da resposta sexual cíclica, que questiona o esquema da resposta sexual feminina como algo direto e linear - desejo, excitação, orgasmo e resolução.

Será que médicos realmente descobriram uma pílula que aumenta a libido das mulheres?

"Essa desconexão não sildenafil citrate serve existe entre os homens. Homens têm ereções consistentemente na presença de mulheres nuas e querem fazer sexo. Com as mulheres, as coisas dependem de uma miríade de fatores." Depois do fracasso, as farmacêuticas gradativamente fecharam as torneiras e o ciclo do financiamento abundante para pesquisas em fisiologia sexual minguou. Prause, que a essa altura já estava no departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia como pesquisadora associada, começou a enfrentar resistência interna na instituição para continuar tocando um estudo sobre orgasmo e depressão. Apesar de ter conseguido financiamento privado para sua pesquisa, ouviu da universidade que não poderia aceitar o dinheiro - uma postura que ela atribui ao caráter "controverso" de sua pesquisa.

1. Citrato de sildenafila 50 mg

Terminado seu contrato com a UCLA, ela resolveu fundar a Liberos, um instituto de pesquisa independente. "Há ainda um grande estigma em relação a qualquer coisa que se proponha a lidar com problemas sexuais das mulheres", diz ela. "Uma pílula é considerado algo 'aceitável', mas qualquer coisa mais ligada à sexualidade é vista por muitas empresas como algo que pode causar dano à imagem, algo que pode ser visto como pornográfico. Passadas quase duas décadas, uma farmacêutica não havia desistido do viagra feminino - mas focava em outro órgão, o cérebro. Em 2015, a Sprout colocou no mercado o flibanserin, medicamento originalmente desenvolvido como antidepressivo e que atua nos níveis dos hormônios dopamina e serotonina com a promessa de aumentar a libido feminina.

Qual o efeito do flibanserin?

A droga foi recebida de forma crítica pelos especialistas. Nos testes clínicos, o aumento no número de episódios sexuais satisfatórios (uma medida relativamente subjetiva usada pelo órgão regulatório americano, o FDA, para avaliar essa categoria de medicamentos) observados em um mês entre as participantes ficou entre 0,5 a 1, quando comparado aos resultados do grupo submetido ao placebo. Ou seja, no intervalo de um mês, as mulheres que tomavam o medicamento relataram um episódio sexual satisfatório - ou menos - a mais do que aquelas que o não tomavam. Muita gente considerou que o custo-benefício não valia a pena. Ao contrário do viagra, o flibanserin tem de ser tomado diariamente, e pode causar tontura, fadiga e náusea. Para Basson - e uma legião de cientistas hoje -, as coisas não são tão simples assim.

  • Em Portugal, existem alternativas terapêuticas aprovadas para a disfunção sexual feminina, como a flibanserina, embora com eficácia modesta e efeitos secundários significativos.
  • A educação sexual nas escolas portuguesas aborda a fisiologia da resposta sexual, mas raramente menciona fármacos como o sildenafil no contexto feminino.
  • O sildenafil pode causar hipotensão, especialmente se tomado com medicamentos anti-hipertensivos, um risco relevante para mulheres com hipertensão arterial.
  • As mulheres que tomam nitratos para angina de peito têm contraindicação absoluta ao sildenafil, tal como os homens.
  • Não existem estudos de longo prazo sobre os efeitos do sildenafil na fertilidade feminina ou na saúde do endométrio.

O modelo linear tradicional, que vem de estudos das décadas de 60 e 70, ignora o que

  • O termo "sildenafil feminino" é frequentemente usado de forma incorreta para descrever produtos não regulados vendidos online, que podem conter substâncias perigosas.
  • Em Portugal, a venda de medicamentos online só é permitida através de farmácias autorizadas pelo Infarmed, e o sildenafil exige sempre receita médica.
  • Não existe evidência científica robusta que comprove que o sildenafil aumenta o desejo sexual feminino de forma isolada.
  • A disfunção sexual feminina é complexa e multifatorial, envolvendo componentes psicológicos, hormonais e relacionais que o sildenafil não aborda.
  • O uso off-label de sildenafil em mulheres com disfunção sexual associada a esclerose múltipla ou lesões medulares tem sido estudado, mas sem conclusões definitivas.
  • Os médicos de família em Portugal não prescrevem sildenafil a mulheres como primeira linha, preferindo abordagens não farmacológicas ou terapêutica hormonal quando indicada.
  • O sildenafil pode interagir com medicamentos comuns em mulheres, como contracetivos orais, embora as interações sejam geralmente ligeiras.
  • A toma de sildenafil com álcool ou drogas recreativas é particularmente perigosa e pode mascarar problemas de saúde subjacentes.

ela descreve como "componentes importantes da satisfação da mulher: confiança, intimidade, respeito, comunicação, afeto e prazer pelo toque".

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Segundo ela, a resposta sexual das mulheres pode ser linear - quando não têm parceiro fixo, no início de um relacionamento, por exemplo. Já mulheres em relacionamentos mais longos tendem a experimentar a resposta sexual cíclica, em que desejo e

  • A investigação sobre o sildenafil feminino foi largamente abandonada após o fracasso de ensaios de fase III, que não mostraram benefícios estatisticamente significativos.
  • Em Portugal, o aconselhamento psicológico e a terapia cognitivo-comportamental são frequentemente mais eficazes do que fármacos para perturbações do desejo sexual feminino.
  • O sildenafil pode exacerbar enxaquecas em mulheres propensas, devido ao seu efeito vasodilatador.
  • Não existem formulações de sildenafil adaptadas à mucosa vaginal, como cremes ou óvulos, que poderiam reduzir os efeitos sistémicos.
  • A crença cultural de que a sexualidade feminina deve ser espontânea e não medicalizada influencia a baixa procura por soluções farmacológicas em Portugal.
  • O uso de sildenafil em mulheres com historial de abuso sexual deve ser cuidadosamente avaliado, pois pode reativar traumas sem resolver a causa subjacente.

excitação são etapas de um processo que se retroalimenta e também envolve intimidade emocional e estímulos sexuais psicológicos.

Mecanismo Local de atuação Efeito fisiológico esperado Relevância clínica
Inibição da fosfodiesterase tipo 5 Tecido erétil clitoridiano Aumento do GMPc e vasodilatação Melhoria da ereção clitoridiana
Relaxamento do músculo liso vascular Artérias pélvicas e vaginais Maior fluxo sanguíneo regional Aumento da lubrificação vaginal
Modulação do óxido nítrico Endotélio dos corpos cavernosos Potenciação da resposta ao estímulo sexual Facilitação da excitação subjetiva
Redução do tónus simpático local Plexo nervoso pélvico Diminuição da vasoconstrição Melhoria da vasocongestão genital

Essa discussão é importante não apenas para entender melhor as mulheres, mas para saber diferenciar o que

O fracasso da primeira onda de pesquisas

Também não pode ser consumido por mulheres que ingerem álcool - como o uso é diário, quem opta por tomá-lo tem de parar de beber. A droga chegou a ser rejeitada duas vezes pelo Food and Drug Administration (FDA), o órgão regulatório americano, antes de ser aprovada. Uma das vozes críticas foi a da professora do departamento de Psicologia da Universidade de Utah Lisa Diamond, que pesquisa a sexualidade feminina. A cientista chegou a participar, a convite da farmacêutica que lançou o flibanserin, de um painel com especialistas que simulava o formato adotado pelo FDA - um procedimento que as empresas às vezes fazem para se preparar melhor para o processo "real". Com acesso aos dados da pesquisa, chamaram-lhe atenção os registros diários dos relatos dados pelas participantes aos pesquisadores e o fato de que as mulheres que estavam no grupo placebo também tinham experimentado aumento da libido.

Interacções medicamentosas

"A partir do momento em que as mulheres começaram a se perguntar sobre desejo, elas passaram a sentir desejo! Não seria mais barato comprar um diário do que tomar uma pílula? "Nós obviamente depreendemos de dados como esses que sildenafil 25 mg faz efeito o desejo é uma experiência complexa. Não é como uma bolha que estoura, é uma experiência consciente. E se a única maneira pela qual você consegue medir é perguntando às pessoas, o dado é enviesado.

3. Qual o tempo de duração do citrato de sildenafila?

É diferente de uma ereção, que é algo observável. A excitação feminina é tão mais complicada..." Nesse sentido, Diamond menciona uma área de pesquisa da sexualidade feminina chamada de estudos de concordância, que investiga a conexão e desconexão entre a resposta sexual fisiológica e a resposta cerebral. Nos homens, na maioria das vezes a excitação sexual subjetiva - ou seja, o que acontece no cérebro - conversa com o que está acontecendo na genitália. O homem sente desejo e tem uma ereção. No caso das mulheres, é mais comum que ocorra uma desconexão entre as duas esferas. são problemas que de fato precisam de tratamento e o que é da natureza da sexualidade feminina.

Ver também

"Nós estudamos isso por anos e, para as mulheres, não é tão fácil autoavaliar a vasocongestão", ressalta Prause. "Então nós sabíamos que a chance de fazermos algo nesse sentido e de que as mulheres relatassem que de fato estavam sentindo alguma coisa era praticamente zero." A maioria dos problemas sexuais das mulheres não tem relação com um fluxo insuficiente de sangue para região genital, destaca Lori Brotto, professora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e diretora do Laboratório de Saúde Sexual da mesma instituição. Especialmente o mais comum deles: a perda ou a redução do desejo sexual. Nos homens, aliás, o viagra não funciona sem desejo - é preciso "ativação" do cérebro para que haja ereção. A questão central, nesse caso, é que o mecanismo de manifestação do desejo é bastante diferente entre homens e mulheres.

3. DHEA

Na visão de Prause, ainda que tudo isso estivesse claro desde cedo para muitos dos cientistas envolvidos nas pesquisas, o potencial de vendas de uma droga que pudesse chegar ao mercado com o mesmo marketing do viagra fez com que muitas farmacêuticas ignorassem os alertas. "Nós avisamos que não iria funcionar", ela reitera. Então estudante de pós-graduação no prestigioso Kinsey Institute, Prause acompanhava seu mentor quando, no começo dos anos 2000, se envolveu em um dos projetos do viagra feminino. Na primeira reunião com o grupo que conduziria a pesquisa, uma surpresa: apenas homens - a maioria acima dos 50 anos, médicos e sem PhD, ou seja, sem treinamento aprofundado em pesquisa científica. "Tinha uma secretária também, que entrava na sala às vezes para servir bolinhos", ela brinca, emendando que acredita que os envolvidos "estavam lá com a melhor das intenções, que queriam ajudar as mulheres e realmente achavam que estavam diante de algo que poderia fazer isso".

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Ainda assim, a sensação é de que "não houve um debate razoável sobre o que é resposta sexual feminina - os gatilhos para o desejo e a excitação, a conexão (ou desconexão) entre o que acontece no cérebro e no restante do corpo - e sobre por que aquela abordagem provavelmente não iria funcionar". "E isso não é algo único daquela empresa", completa a cientista. Boolell concorda que a indústria farmacêutica deveria "ter ouvido mais as mulheres". Em 2004, quando a Pfizer anunciou que estava suspendendo seu projeto, ele deu uma série de entrevistas para explicar os motivos. "Há uma desconexão em muitas mulheres entre as mudanças na genitália e as mudanças no cérebro [durante a resposta sexual]", disse na ocasião. Lori Brotto, diretora do Laboratório de Saúde Sexual da Universidade da Colúmbia Britânica, vem estudando

Dose diária Via de administração Frequência Duração do ensaio Observações
25 mg Oral 1 vez por dia 8 semanas Dose inicial mais comum
50 mg Oral 1 a 2 vezes por dia 12 semanas Utilizada em ensaios de depressão
100 mg Oral Em SOS antes da relação 6 meses Associada a mais efeitos adversos
25 mg Tópica vaginal 2 vezes por semana 4 semanas Formulação experimental em creme

o uso de mindfulness (atenção plena) para tratar mulheres com baixa libido, com resultados bastante positivos.

Para que serve

Uma mulher pode ter sinais físicos de excitação - o aumento de fluxo sanguíneo para a vagina e clitóris, por exemplo -, mas não necessariamente sentir desejo ou vontade de se engajar em alguma atividade sexual, e vice-versa. "Pessoalmente acho que muito disso tem a ver com o fato de que, para os meninos, quando estão crescendo, é mais fácil ligar os sentimentos com o que está acontecendo no corpo. Meninas não são encorajadas a explorar o próprio corpo e não têm a menor ideia do que está acontecendo lá embaixo - então muitas mulheres acabam dissociando o corpo da cabeça", diz a pesquisadora. "E a ideia de que você pode consertar isso com uma pílula é uma loucura, é não entender a complexidade do desejo sexual." Outras abordagens farmacológicas - como o Vyleesi, injeção de bremelanotida aprovado nos EUA em 2019 para mulheres em pré-menopausa com baixa libido - tampouco se mostraram frutíferas. Parte do fracasso pode ter relação com o fato de que o desejo tem uma dimensão psicológica relevante para as mulheres.

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É o que ajuda a explicar, por exemplo, porque a baixa libido as afeta mais que aos homens. Depressão, ansiedade, estresse, baixa autoestima, conflitos no relacionamento, vergonha do parceiro - tudo isso interfere mais no desejo feminino do que no masculino, pontua a professora Lori Brotto, da Universidade da efeito colaterais sildenafil Colúmbia Britânica. "Os homens também se beneficiam dos efeitos dos níveis mais elevados de testosterona, que os permite sentir uma forma mais espontânea de desejo", ela acrescenta. O desejo espontâneo foi durante muito tempo a ideia pré-concebida do que era desejo: uma vontade que simplesmente aparece, como a fome ou a sede. As correntes mais modernas do estudo da sexualidade feminina têm investigado, contudo, o que chamam de desejo sexual responsivo, aquele que surge como consequência de um estímulo.